sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Entrevista exclusiva com Paulo Nogueira (1ª parte)

O Tinta Lusa apresenta mais um exclusivo, a primeira entrevista dos actuais campeões nacionais. Até hoje, ninguém conhecia muito bem os Azimut e muito menos o Paulo Nogueira, um líder nato que não gosta de holofotes. Vamos conhece-los?

“…eu já sabia que o campeonato era nosso…”

“… assisti a uma discussão…”






Tinta Lusa:
Antes de mais, parabéns pela forma como conquistaram o Campeonato Nacional/2011. Por mera curiosidade, lembraste de qual foi o primeiro pensamento que te veio a cabeça quando tiveste a certeza que o CN era dos Azimut?

Paulo:
Isto é logo a matar (risos). Não vou estar com falsa modéstia, antes de ter a certeza matemática, eu já sabia que o campeonato era nosso.
Se não me falha a memória, foi na 3ª prova que tudo podia acontecer. Estávamos nós, Leiria e SLB a 2, 3 pontos de diferença.

Tinta Lusa:
Sim, foi a prova onde vocês arrasaram, acho que perderam 2 pontos no dia todo.

Paulo:
Exactamente, nessa prova fiquei com a certeza que o campeonato era nosso, não foi só por termos ganho 4-0 a quase todas as equipas. Foi sim, por ter presenciado adversários directos a “lutar” para não entrarem no recinto de jogo.

Tinta Lusa:
Podes explicar isso melhor?

Paulo:
Não me peças nomes, mas... estávamos no meio do jogo e nos intervalos entre pontos assisti a uma discussão entre 2 jogadores e em que nenhum deles queria entrar.
Por outras palavras e estas nisto há tanto tempo como eu.

Tinta Lusa:
Suponho que sim.

Paulo:
Sabes o "medo" psicológico que todas as equipas padeciam quando iam jogar com os SLB, este ano vi terem esse “medo” dos AZIMUT.

Tinta Lusa:
Uma coisa é certa, vocês levaram sempre a melhor sobre o Benfica, que era o campeão nacional do ano passado.
E sei, que sermos derrotados uma e outra vez pelo mesmo adversário, afecta negativamente a moral. Acho que todos conseguimos deduzir a que equipa te referes.

Paulo:
Está explicado.

Tinta Lusa:
Jogam juntos a quantos anos?

Paulo:
O Rui, Fabrício, Jimmy e eu, desde sempre. Com o Sven, Dany e Tony a mais ou menos 2 anos, o Bruno só fez uma prova este ano.

Tinta Lusa:
Para ti, que és fundador dos Azimut, foi o sonho alcançado? gostava mesmo de saber qual foi o teu primeiro pensamento quando ganhaste matematicamente, quando não havia lugar para dúvidas.

Paulo:
Sim, foi um sonho alcançado, não tive a sensação de ter atingido o impossível, se é isso que queres saber.
Na realidade eu já sabia a equipa que tinha e o que estava a ser feito.

Tinta Lusa:
E o que estava a ser feito?

Paulo:
Esta equipa tem muita cumplicidade, muitos Millenniums em cima, muitas horas de boa disposição, há muito companheirismo, é há Metralhas… SOMOS amigos de verdade.
Fomos muito equipa, para além disso, tive o prazer de ter jogadores de altíssimo nível, juntas a esta fórmula a experiência e já está.

Tinta Lusa:
É bem visível que vocês são extremamente unidos e conciliaram muito bem a experiência com a juventude... mas criou-se a ideia que os Azimut... são os "putos dos Azimut", concordas?

Paulo:
Concordo plenamente, os Azimut são o Sven o Tony e o Jimmy, sem dúvida, o resto são jogadores regulares e com experiência.

Tinta Lusa:
Todos temos algumas curiosidades em relação a vocês, eu diria que muitos de nós não conhecemos - como gostaríamos - os Azimut. Na minha opinião tu és o líder e alma dessa equipa e fizeste uma época de altíssimo nível, mas... quem é o estratega dos Azimut? o motor? a irreverência? consegues dizer-nos ou é segredo?


Paulo: (To be continued)



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

VEJAM LÁ SE CHATEIAM-SE MAIS UM BOCADINHO…

Nos últimos anos tem-se ouvido sempre falar do “jogar a russo”, leia-se jogar tipicamente como jogam os Russian Legion.



Eu sinceramente acho que é uma forma de sentir o jogo, ostentam uma cultura de club que esta muito relacionada com o estilo de vida…



Se pesarmos numa equipa que joga bem, ofensiva e que agrada a qualquer espectador, estaremos a falar claramente dos Russian Legion.



Se tivermos que escolher uma equipa que forma jovens jogadores, que constitui a espinha dorsal de uma selecção e que tem dado origem a alguns dos melhores jogadores do mundo, estamos novamente a falar dos Russian Legion.


Mas… o que é jogar a russo? Qual é a essência do clube?



Existe um livro de David Winner “Brilhante Orange” que descreve como surgiu o futebol total na Holanda, e que o assemelha com a arquitectura e cultura de Amsterdam.



Se estivermos de acordo com David Winner… deveremos levantar duas questões pertinentes, é um erro achar que o jogo russo é um sistema técnico táctico? Ou deveremos antes, tentar perceber o processo que origina este jogo?



Penso, que o que nos leva a um sistema técnico táctico são o tipo de jogadores que temos, tentar jogar “a russo” com jogadores lentos, ou não muito dotados tecnicamente seria oferecer o ouro ao bandido.




Mas, também penso, que pode-se aculturar um clube (ou seja, todos os jogadores que o compõem), com tempo e determinação, podemos moldar a matéria-prima de forma a possuir um tipo de jogadores que permita efectuar esse tipo de jogo.



Discutir os métodos e estilos dos Dynasti vs Russian Legion deverá ser semelhante ao debate que existe no mundo do futebol entre Mourinho e Guardiola ou Real Madrid e Barcelona.



Mourinho e Lang adaptaram-se a cultura do clube que os contratou e perante o que tinham, procuraram um estilo que os presenteasse com resultados imediatos.
Guardiola e Kirill, procuram na sua génese e na sua escola, jogadores que permitam usar um estilo de jogo que outorgue resultados, mas também prazer em jogar e em ser visto a jogar.




A única divergência nestas comparações é que o Barcelona ganha muitas vezes e o Russos nem por isso, os Dinasty ganham muitas vezes e o R. Madrid nem tanto.



É aqui neste vértice que a única grande diferença só pode ser a vontade de ganhar versus a repercussão da derrota.




Enquanto vejo os Russos após derrotas agir como se nada tivesse sucedido, os Dynasti a partir do momento que reconquistaram o Oliver Lang, não ficam parcimoniosos diante da derrota.



O que é certo é que na minha meninice e quando sonhava que era um grande jogador de futebol, os meus golos nunca eram na própria baliza, em esforço, ou porque a bola tabelava num adversário… eram sempre golos de pontapé de bicicleta ou com fintas infindáveis sobre os opositores, que finalizava com um lindo chapéu sobre o guarda-redes.




Assim e porque os homens somos eternas crianças, em que a única coisa que altera é o preço dos brinquedos, prefiro e aposto na cultura de jogo e clube.





Viva os Russian Legion! Mas vejam lá se chateiam-se mais um bocadinho…




To be continued

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Millennium-series/2011 Paris (Disney) – sentir…

Não entendo, aliás, não suporto os jogadores que saem de um terreno de jogo derrotados, mas com um sorriso no rosto, como se nada de transcendente tivesse acontecido.





“Encravo” com aqueles jogadores que entram na “arena”, com agua nas veias, sem a mínima tensão e “morrendo” uma e outra vez da mesma forma.

Muitas vezes penso, “como é possível aquele back player não entender, que cada saída fácil, cada tiro no vl aos 10 segundos de jogo, traduz-se no extermínio do seu front player, acompanhado de inúmeras “medalhas” no corpo”.

Outras vezes reflicto, “que front player é aquele… que num obstáculo chave, não atinge adversários, duvido até, que tendo o arco-íris por alvo ele o consiga alvejar. Claro, isto resulta uma e outra vez numa equipa em posições ofensivas que rapidamente se torna numa equipa em modo defensivo”.

Estamos a falar de jogadores sem sentimentos, não sentem a derrota, não sentem o erro, não sentem nada.


Deveria ser claro para todo jogador, que é muito melhor arriscar coisas grandiosas, mesmo expondo-nos a duras derrotas, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.

Nesta última prova do MS, na fantástica Disney, os Metralhas Porto foram representados por 4 jogadores da segunda equipa (Silver), dos quais 2 jogavam a menos de um ano e no formato 5 man, 2 jogadores da equipa principal (Gold) e mais um, praticamente retirado das lides na “arena”.





Era uma excelente equipa? equilibrada sim, excelente ainda não.


Era uma equipa experiente nestas lides? exceptuando 2 elementos, claramente não.


Era uma equipa equilibrada, unida e preparada para sentir e corrigir? sem lugar a dúvidas, sim.



Bom… já continuaremos com esta aventura dos Metralhas Porto, antes disso e resumidamente, irei contar-vos o que senti com os jogos que vi;




Art Chaos Moscow, jogaram num campo ofensivo, deram recital, poderiam fazer mais 10 jogos seguidos que não sairiam derrotados de Paris.



Fedorov, jogou claramente para as câmaras e para as marcas, Jersey diferente, marcador diferente… deu show. Digamos que é o Cristiano Ronaldo do Paintball.



Toulouse Tontons, deu-me gosto ver uma equipa “latina” a jogar sem medo e olhos nos olhos contra qualquer adversário. Estive com especial atenção ao promissor Axel Gaudin, mas desta vez foi zero do lado da cobra, fugiu a procura de melhor sorte para as chamuças e mais uma vez nada. Fico algo desiludido quando um jogador com características específicas, em vez de enfrentar os problemas na sua posição natural, tenta a sorte noutras posições que não domina.




Pela positiva, fiquei impressionado com o Loic Voulot.



San Diego Dynasty, jogaram sempre na contra, os russos fizeram deles gato e sapato nas meias-finais.




Lang… contra os Moscow, jogou na tentativa de fechar o jogo; não o conseguiu e infelizmente não vi nada de fantástico.



O nosso Benfica, no primeiro jogo não funcionaram (exceptuando o Ossos), nos restantes foram dignos vencidos, lutando sempre até a exaustão e praticando um óptimo paintball.




Ossos… lutou muito, jogou muito, excepcional ponto ganho ao Maloy!.



Não tive oportunidade de ver, com a atenção que elas merecem, as restantes equipas portuguesas… exceptuando, claro está, a equipa que integrei (Metralhas Porto).

Voltemos, então, aos Metralhas Porto;



No primeiro dia, jogamos contra os Avignon Old Company (Franceses), team work não existiu, o lado da cobra não funcionou, derrota 4-2 contra uma equipa inferior.


Ainda, no primeiro dia… segundo jogo e agora defrontamos as Poison Ivy Drammen (norueguesas), que devido a lesões de algumas jogadoras só apresentaram 4 elementos em campo. Jogar pior do que o fizemos era impossível, estávamos mais preocupados em eliminar adversários do que propriamente jogar em equipa, as decisões dos back players eram as piores e os front pouco se aguentavam em campo. Assim, a única nota positiva foi termos ganho.

Pertíssimo de sermos eliminados e a praticar um jogo horrível, revimos tudo, incidindo principalmente no campo e na atitude!

Segundo dia e já um jogo decisivo, ou ganhávamos ou íamos para as bancadas ver jogos. Os London Defiance (ingleses), na minha opinião, eram a equipa mais difícil do grupo, sétimos na geral, treinados pelos London Nexus, dois jogadores na selecção sub-19 da Inglaterra e já tinham arrecadado um 2º lugar em Longchamp.


Ganhamos 4-0 sem dar a mínima hipótese, foi o jogo onde praticamos o nosso melhor paintball e onde fomos uma equipa compacta, com pontas a serem verdadeiros snipers e muito bem acompanhados pelos backs que funcionaram como excelentes guarda-costas.

Foi neste jogo, que o Tiago Teixeira decidiu assumir as rédeas e o domínio do jogo, velocidade e qualidade de tiro impressionantes.

Já nos last 32 enfrentaríamos os Newport Laysick Vip, tinham arrecadado um óptimo 6º lugar no MS de Londres e o pouco que consegui ver desta equipa inglesa é que eram inteligentes, coesos, mas também, muito lentos.



Valorizo sempre uma equipa pelo seu conjunto, mas nunca escondo, que certos jogadores têm faculdades que os tornam imprescindíveis para decidir os jogos mais importantes. Não faço ideia se foram as palavras do dia anterior, exigindo muito mais dele, ou a vontade interior de mostrar a tudo e todos o seu real valor, que levou o Tiago a fazer - nesse dia - exibições extraordinárias.








Agora e recordando-o em slow motion, os movimentos eram sempre suaves e perfeitos como uma pena, que de um momento para o outro se transformava numa flecha que atingia os adversários após ouvirem um sibilar.


Sempre com o controlo do jogo, derrotamos os Newport (4-1), apareceram erros no nosso lado da cobra, mas que foram colmatados e muito bem por um Foka sempre atento e inteligente e um Pedrosa seguro nas movimentações. Assim e com a nossa flecha do lado das chamuças, chegamos aos last 16.

Disputamos este jogo ao fim da tarde e no campo de CPL, contra um adversário com nome de restaurante Francês, Le Chambon Sur Lignon.

“Malta, desfrutem do jogo, olhem para o campo onde vamos jogar e para as bancadas, muitas equipas que jogam a muitos anos, nunca colocarão os pés num campo de CPL”… foi com isto que fomos combater “Les enfant de la patrie”.








O primeiro ponto foi claramente para os franceses, a nossa cobra não funcionava, e também não fechávamos com eficácia a deles… uma autêntica auto-estrada, entraram também no segundo ponto e 2-0, ainda por cima começaríamos o terceiro ponto com 4 jogadores.



Usamos o senso comum e passamos a cobrir a base do lado da cobra, com 4 jogadores decidimos jogar sem B e apostar muito no pré do Ivo que usaria um tiro cruzado para os obstáculos que apoiavam a cobra dos franceses… pré excelente, Tiago a desbravar a zona das chamuças e assim fizemos o 2-1.



Como no que resulta não se mexe, tornamos a repetir a graça e empatamos 2-2, tendo o Ivo a apoiar na primeira fase de jogo o lado da cobra, só tínhamos o Tiago para 2 e as vezes 3 franceses… e lá ia ele, como se de um treino se tratasse, fazendo-os desaparecer do mapa.



Quinto ponto em disputa, arrancamos desorganizados e duplicando obstáculos que não faziam sentido, oferecemos o 3-2.



Sexto ponto… era de noite, os holofotes estavam ligados, havia alguma gente nas bancadas… sorrio… estamos 4 Metralhas para 2 “Chambon”, visiono o quadro, faltam 3 minutos e alguns segundos para acabar o jogo, está feito, vamos empatar.



Acompanhem em slow motion, o Eduardo entra na cobra, o Foka toma a Torre dos 50, o Ivo esta na segunda chamuça e o Tiago está posicionado atrás dele, os franceses ficam em 1 e 2 a cruzar.



O Foka tenta guerrear e morre, o Eduardo fica sem marcador e o Ivo sai dumpado, o Tiago ainda elimina o francês que marcou o nosso chamuças…
Um para um… é então que a velocidade da luz passam na minha cabeça todos os 1 para 1 que o Tiago tinha feito esta época e dos quais não tinha ganho nenhum.



Ambos nos 50 do campo, o Francês fica sem ar e o Tiago sem bolas… desatam a correr, ouve-se uma buzina, não é perceptível quem ganhou, ganhamos? Perdemos? Pode-se empatar?





Perdemos por milésimos de segundo…, alguns dos mais novos choraram, alguns dos mais velhos, fizemos por não chorar, mas o que é certo é que todos sentimos a derrota.














Uma equipa feita a pressa, com elementos de equipas diferentes, mas tendo por fio condutor o clube que os une, conseguiu sentir a vitória e a derrota! Só é possível evoluir sentindo a dor do esforço, só é possível vencer, tendo passado pela derrota.





Uma grande equipa, quando resiste as grandes derrotas dos momentos decisivos, resiste a tudo, doa o que doer.





To be continued